ChatRoulette tenta cassar domínio controlado por brasileiros

“Imagine se eu crio um site chamado superdisney.com. Vou esperar consequências, não vou?”, aponta Marcel Leonardi, professor da Fundação Getúlio Vargas e advogado especialista em internet. “E, mesmo que eles não tenham o pedido da marca, envolve uma questão de concorrência, de desviar usuários do próprio ChatRoulette. Não é que seja ilegal, mas o uso do nome de domínio causa confusão”, diz ele.

Folha.com

Autora: Marina Lang
Fonte:
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O ChatRoulette, site que permite conversas de vídeo de forma aleatória, está lançando uma cruzada contra domínios que usam o seu nome na internet. Um dos endereços, cujo número absoluto de acessos já ultrapassou 500 mil, foi desenvolvido por brasileiros.

Em carta obtida com exclusividade pela Folha, o escritório de advocacia norte-americano SNR Denton alerta aos endereços chatroulettemap.comchatroulettegirls.orgsuperchatroulette.com (este último controlado por brasileiros) para que parem de usar os endereços, além de prepararem a mudança de registro dos nomes para a empresa ChatRoulette Inc.

Chat Roulette

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“A adoção dos proprietários destes domínios parece ser pirataria de domínio. Esses nomes de domínio incluem um nome que é idêntico ou confusamente similar à marca ChatRoulette”, diz o documento. “Os nomes foram registrados e estão sendo usados em má-fé para atrair usuários de internet para ganho comercial”, prossegue o texto.

Advogados consultados pela reportagem dizem que o pedido do ChatRoulette é razoável.

“Imagine se eu crio um site chamado superdisney.com. Vou esperar consequências, não vou?”, aponta Marcel Leonardi, professor da Fundação Getúlio Vargas e advogado especialista em internet. “E, mesmo que eles não tenham o pedido da marca, envolve uma questão de concorrência, de desviar usuários do próprio ChatRoulette. Não é que seja ilegal, mas o uso do nome de domínio causa confusão”, diz ele.

Rogerio Martes, especialista em direito digital da Patricia Peck Pinheiro Advogados, mantém opinião consonante com a de Leonardi.

“Eles partem de uma marca registrada, uma marca alheia. Mesmo que tente agregar melhorias ao site, não justifica a criação de um domínio semelhante ao do ChatRoulette, até porque se beneficia da atividade comercial da marca”, diz ele.

No caso brasileiro, Fernando Motolese, um dos responsáveis pelo site, diz que a intenção era desenvolver um aplicativo para o site –o superchatroulette permite conversas de até oito câmeras simultaneamente (o ChatRoulette permite apenas uma conversa entre duas pessoas).

Além da notificação do escritório de advocacia, o Serviço de Proteção de Domínio informou que a privacidade do superchatroulette será quebrada em 72 horas, caso não se cumpra a revogação do endereço.

“Recebemos a notificação da quebra da nossa privacidade em três dias. Mas a ideia é que esse aplicativo do nosso site vire parte da ferramenta. É assim que o Google faz quando quer incorporar determinada tecnologia: ele adquire, compra essa tecnologia. É benéfico para o desenvolvimento de aplicativos, para a própria marca, para o desenvolvimento do site”, declarou Motolese.

Ele diz que o site teve 550 mil acessos desde a sua criação, em março do ano passado.

Procurada pela Folha, a empresa de advocacia do ChatRoulette não foi localizada para comentar o assunto.

Famoso por agregar pelados na plataforma, o próprio ChatRoulette se avalia em US$ 30 milhões.

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