LG vaza nome, telefone e endereço de 71 mil clientes em site

“A repercussão é imediata. É um erro grosseiro. Pessoas podem agir de má fé e usar esses dados para golpes. É possível procurar a Justiça”, diz o advogado especializado em direito digital e professor da FGV-SP Marcel Leonardi.

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Autora: Marina Lang
Fonte: Folha.com

A LG, uma das maiores fabricantes de eletrônicos do mundo, deixou vazar o nome, endereço residencial, CPF, data de aniversário e telefones fixo e celular de quase 72 mil clientes brasileiros.

Disponíveis no site da companhia até o final da semana passada, os dados de 71.739 clientes foram obtidos pela Folha.

LG-GT540

Ao tentar fazer o download do manual de um dos modelos de smartphone da companhia, o LG GT540, o usuário recebia um enorme arquivo contendo uma tabela com a listagem de dados pormenorizados dos clientes.

A lista, no entanto, não estava mais no ar já na segunda-feira (24).

A reportagem entrou em contato com dez desses clientes. Em todos os casos, nomes e números eram compatíveis. Sete deles afirmaram que possuíam aparelhos da companhia. Apenas dois negaram, e um disse não se recordar.

Procurada, a LG disse em comunicado que “seu site foi invadido durante o final de semana e que já tomou as providências cabíveis para que isso não torne a ocorrer”.

O empresário carioca Arthur da Silva Neto, 42, notou o vazamento e disse que tentou alertar a companhia. “Eu fui muito mal atendido. Esses dados ficaram disponíveis por, pelo menos, uma semana, dez dias. Só quando eu mencionei o acionamento da imprensa, eles retiraram”, declarou.

“Agora fico preocupado e desconfiado, não vou mais fazer cadastros em sites”, informou.

Para o hacker Vinicius K-Max, 28, a invasão ao site “é possível, mas pouco provável. Geralmente, quando um site é invadido, o que é conhecido como desfiguração, há uma mensagem ou protesto. Altera-se o site inteiro. Em mais de dez anos, eu nunca vi um caso desses”.

“Bom, obviamente, a repercussão é imediata. É um erro grosseiro. Pessoas podem agir de má fé e usar esses dados para golpes. É possível procurar a Justiça e mover uma indenização em um tribunal de pequenas causas”, diz o advogado e professor da FGV, Marcel Leonardi.

“Ainda que não exista prova concreta da ligação do vazamento a um possível dano, o consumidor deve exigir que a empresa sane o problema.”