Direcionado, mas indiscreto

“Há um interesse da indústria em ter anúncios menos aleatórios. Não existe almoço grátis. Queremos serviços gratuitos, mas em troca há a coleta de dados. É preciso fugir da demonização disso”, afirmou Marcel Leonardi, advogado e professor da FGV-SP.

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Autora: Tatiana de Mello Dias
Fonte: Link – Estadão

Quando você faz uma busca sobre viagens, os anúncios do Google levam a companhias aéreas, agências e hotéis. É uma vantagem ter acesso a anúncios direcionados, mas os mecanismos usados para identificar o público na internet por faixa etária, localização ou hábitos abrem uma discussão sobre privacidade.

“Há um interesse da indústria em ter anúncios menos aleatórios”, explicou o advogado Marcel Leonardi, professor da FGV-SP, no seminário da Associação Brasileira de Direito de Informática e Telecomunicações (ABDI) na terça, 9, em São Paulo.

“A partir de uma pesquisa na internet, os pedaços de informação são capazes de construir aspectos de nosso perfil mais complexos do que podemos imaginar”, disse Danilo Doneda, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-Rio.

Nesta nova realidade online, os dados dos cidadãos valem ouro. Para a indústria é interessante saber quem está do outro lado do computador para otimizar a publicidade. Para os usuários, há a vantagem de ter acesso à publicidade segmentada. Lembrando que os serviços gratuitos da web – como provedores de conteúdo e todos os serviços do Google – são custeados por publicidade. Mas a que preço? Hoje já dá para rastrear a navegação com ferramentas sofisticadas do chamado behavioral targeting – monitoramento comportamental. Elas definem quem visitou sua página a partir dos termos mais pesquisados, sites frequentados, padrões de navegação do visitante.

“Não existe almoço grátis. Queremos serviços gratuitos, mas em troca há a coleta de dados. É preciso fugir da demonização disso”, afirmou Marcel Leonardi, advogado e professor da FGV-SP.

Nova moeda
Danilo Doneda, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-Rio, também lembrou que os dados pessoais são “a nova moeda”. Mas mostrou preocupação. “Quais os riscos dessa negociação para nós, titulares desses dados?”. Os mecanismos de rastreamento podem ser imperceptíveis. “É fundamental informar que a navegação está sendo registrada”, diz.