Exibição online ameaça reputação de crianças e adolescentes

Doutor em Direito pela USP e professor da FGV, Marcel Leonardi explica que as conseqüências diretas são danos irreparáveis à reputação, estigmatização do adolescente e problemas de comportamento, que podem exigir tratamento especializado com psicólogos. “O principal problema é que essas imagens dificilmente serão completamente removidas da internet e estarão disponíveis muitos anos depois do fato, causando danos no futuro”, completa Leonardi.

Unasp

Autora: Alessandra Guimarães
Fonte: ABJ – Unasp

Uma prática que está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes, vem preocupando educadores e autoridades brasileiras. A novidade perigosa carrega o nome de sexting. A expressão se refere ao envio de mensagens, imagens e filmes eróticos e sensuais por meios eletrônicos. Essa prática é conduzida principalmente por crianças e adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos.

A moda criada por jovens americanos chegou recentemente ao Brasil e já está recrutando diversos adeptos. Na maior parte dos casos, a postagem de fotos sensuais é voluntária, sendo uma espécie de brincadeira virtual. Em outras situações, a postagem é feita por vingança. O caso nacional de maior repercussão aconteceu em Porto Alegre, onde dois menores se insinuaram diante do sistema de vídeo da rede social Twitter. Foram quase 30 mil acessos ao conteúdo pornográfico transmitido pela internet.

Segundo a professora adjunta de Pediatria e Clínica de Adolescentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Evelyn Eisenstein, a insegurança e curiosidade sobre a sexualidade motivam os adolescentes a se exibirem no meio online. “Na internet, tudo é imediato, irrestrito, acesso fácil ao proibido e com muitas possibilidades de mentir ou inventar”, argumenta Evelyn. Para a pediatra, que também é uma das autoras do livro Geração Digital (Editora Vieira e Lent), “adolescentes que postam fotos nuas são desinformados quanto aos riscos que correm”.

Doutor em Direito pela USP e professor da FGV, Marcel Leonardi explica que as conseqüências diretas são danos irreparáveis à reputação, estigmatização do adolescente e problemas de comportamento, que podem exigir tratamento especializado com psicólogos. “O principal problema é que essas imagens dificilmente serão completamente removidas da internet e estarão disponíveis muitos anos depois do fato, causando danos no futuro”, completa Leonardi.

O sexting já fez uma vítima fatal nos Estados Unidos. Em 2008, Jessica Logan, de 17 anos, teve fotos sensuais enviadas pelo ex-namorado para colegas da escola, caso típico de cyberbullying. Não agüentando a pressão, ela acabou se enforcando.

Casos de sexting que se tornam públicos, sempre pegam os pais de surpresa, já que os mesmos muitas vezes estão alienados quanto às atividades virtuais de seus filhos. Leonardi comenta que medidas preventivas podem ser adotadas dentro de casa para que isso não ocorra. “Os pais devem conversar abertamente sobre as consequências futuras desses comportamentos e manter o computador com acesso à internet em um local de livre circulação”, aconselha. Já a autora do livro Geração Digital, Evelyn Eisenstein, aponta que os pais e professores precisam considerar que o computador e a internet são ferramentas importantes, cujo correto uso deve ser orientado e supervisionado. Os filhos precisam ser conscientizados dos perigos da exposição anônima de si mesmos ou de seu corpo.