Brasil é maior alvo de vírus que rouba dados bancários

Marcel Leonardi, professor de direito eletrônico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que, em disputas virtuais que envolvem roubo de senhas bancárias e dinheiro, a Justiça tem obrigado o banco a provar a culpa do cliente. “Considera-se que o banco, ao oferecer serviços pela internet, além de obter redução de custos, está ciente dos riscos que o ambiente oferece”, afirma.

Jornal da Tarde

Autor: Marcos Burghi
Fonte:
Jornal da Tarde

País é destino de 36% das tentativas de furto de informações financeiras pela internet, seguido pela China, com 21%, e Espanha, com 8%

Internautas brasileiros, cautela! Levantamento da Kaspersky Lab, empresa de segurança virtual, mostra que em 2009 o Brasil foi o alvo predileto das ameaças virtuais cujo principal objetivo é roubar dados e senhas bancárias. De acordo com a empresa, que detectou e analisou cerca de 35 mil ameaças diárias ocorridas em 10 países, as máquinas brasileiras foram o endereço de 36% dos ataques. Em seguida vêm China, com 21%, e Espanha, com 8%.

Dmitry Bestuzhev, analista de Pesquisas Globais da Kaspersky Lab para a América Latina, informa que tecnicamente as ameaças são conhecidas como ‘trojansbank’. No Brasil, o termo ‘trojan’ foi traduzido para cavalo de Troia, em referência ao fato de que o usuário permite, sem saber, a instalação da ameaça ao abrir um link ou baixar um aplicativo, o que leva ao furto dos dados.

Bestuzhev explica que um dos motivos que fazem do Brasil o destino predileto desse tipo de crime é o País ser, também, o maior produtor mundial de trojansbank. “Isso faz com que os ataques domésticos sejam maioria”, afirma o analista. Edison Fontes, professor de Segurança da Informação da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), afirma que as ameaças podem chegar na forma de mensagens falsas atribuídas a órgãos públicos ou bancos. “Usuário deve ser frio diante do computador e não executar nenhuma ação pedida na mensagem”, alerta.

Fontes lembra que a navegação da internet deve espelhar as ações do internauta na vida real. “Compramos em estabelecimentos que conhecemos e frequentamos lugares que achamos seguros. Assim devemos ser na rede”, diz. O professor ressalta a importância de manter um programa antivírus sempre atualizado. “Mesmo que custe, o benefício da proteção compensa”, avalia.

Bruno Rossini, gerente de Relações Públicas da Symantec, também produtora de segurança virtual, afirma que a internet é o ambiente mais agressivo em que uma pessoa pode estar. “Há uma tentativa de crime a cada quarto de segundo”, garante.

Ele afirma, ainda que há decisões judiciais que isentam o banco de ressarcir o cliente em caso de comprovação de roubo de dados de clientes que acessaram links falsos ou tiveram o acesso a um endereço correto redirecionado para página falsa como consequência de máquina contaminada por um trojanbank.

Marcel Leonardi, professor de direito eletrônico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que, em disputas virtuais que envolvem roubo de senhas bancárias e dinheiro, a Justiça tem obrigado o banco a provar a culpa do cliente. “Considera-se que o banco, ao oferecer serviços pela internet, além de obter redução de custos, está ciente dos riscos que o ambiente oferece”, afirma.

Leonardi esclarece, porém, que se o banco realizar perícia no equipamento e constatar falha de proteção ficará isento de qualquer ressarcimento.

O empresário Thiago Spósito, 31 anos, conta que não costuma abrir mensagens de bancos ou órgãos públicos, mas recentemente recebeu mensagem atribuída a uma rede varejista que alegava a existência de uma dívida. “Abri, por curiosidade, e pediam meu CPF, entre outros dados e, caso não informasse, teria meu nome protestado. Ignorei.”