Saiba como preservar provas do ataque de predadores

Marcel Leonardi, professor de direito e Internet da FGV, adverte que os pais não devem se precipitar ao julgar as conversas, mas devem agir rápido quando têm suspeitas. “Se os pais demoram a agir, os provedores, por exemplo, podem não ter mais os dados de identificação de quem usou aquele apelido naquele horário”, diz ele.

Folha de S. Paulo

Autores: Daniela Arrais e Gustavo Villas-Boas
Fonte: Folha de São Paulo

Caso desconfie que seu filho é alvo de um pedófilo, procure reunir o maior número possível de informações para fazer uma denúncia formal.

O advogado Marcelo Duchovni aconselha que os pais guardem e imprimam o material suspeito. “Esses documentos podem servir como provas. O pai deve denunciar ao Ministério Público e a uma delegacia.”

Para Renato Opice Blum, advogado especialista em direito eletrônico, a preservação de provas é primordial, pois, sem uma pista para identificação do autor, não dá para fazer nada. “Se seu filho está em um bate-papo, dê um print screen na tela para preservar a imagem com horário e indicações, como apelidos usados pelo suspeito. Se a conversa for em MSN, é importante deixar habilitada a função de gravar conversas.”

O delegado titular da 4ª Delegacia de Delitos por Meios Eletrônicos de São Paulo, Ubiracyr Pires da Silva, ressalta, ainda, que preservar um e-mail em sua integridade é importante. “É por meio do cabeçalho que podemos identificar quem enviou a mensagem.”

Ele adverte que muitos pedófilos se aproximam das vítimas se passando por crianças e demonstrando interesses parecidos. “Ele quer entrar na intimidade da criança como um amigo. Se descobre que ela gosta de futebol, vai gostar de futebol também”, exemplifica.

Marcel Leonardi, professor de direito e internet da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que “o ponto principal para se prevenir é a cautela, o diálogo. Aquela recomendação de não aceitar balas de estranhos que nós ouvíamos deve servir para internet. Os criminosos aproveitam o pseudo-anonimato da rede.”

Ele adverte que os pais não devem se precipitar ao julgar as conversas, mas devem agir rápido quando têm suspeitas. “Se os pais demoram a agir, os provedores, por exemplo, podem não ter mais os dados de identificação de quem usou aquele apelido naquele horário”, diz ele.