Interesse do Google valoriza ainda mais o YouTube, diz jornal

“Pela lei norte-americana, a página está livre de processos à medida que segue as solicitações e retira os arquivos do ar”, afirma Marcel Leonardi, especialista em direito eletrônico.

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Autor: G1
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Negociação para a compra do site seria de US$ 1,6 bilhão, segundo o “New York Times” e o “Wall Street Journal”

O possível interesse do gigante das buscas Google pelo YouTube deve valorizar ainda mais o site de vídeos criado em fevereiro de 2005, segundo informações do jornal “The Mercury News”, publicação com notícias da área do Vale do Silício, na Califórnia (Estados Unidos).

A notícia sobre a negociação entre as empresas, divulgada na última sexta-feira (6), tem como base fontes anônimas ouvidas por dois dos mais influentes veículos de comunicação norte-americanos, o “New York Times” e o “Wall Street Journal”. “Todo mundo fala com todo mundo nesse lugar [Vale do Silício] e seria estúpido não fazê-lo. Este é o tipo de rumor que o YouTube gostaria de ver circulando, para que o Yahoo! e a Microsoft batam em sua porta”, afirmou o “The Mercury News”.

Caso o site de vídeos seja realmente disputado por gigantes da informática, pode passar a valer mais que US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 3,45 bilhões). Segundo o “New York Times” e o “Wall Street Journal”, este é o preço que o Google cogita pagar pelo site que exibe 100 milhões de arquivos a cada dia.

Com esta quantidade de acesso, o YouTube conquistou 46% de participação de mercado dos vídeos on-line. Segundo a empresa Hitwise, que monitora o tráfego na internet, o MySpace aparece em seguida com 23%, enquanto o Google Video tem 10%. Os principais atrativos do YouTube são fácil navegação e um ranking dos conteúdos mais vistos.

YouTube

Polêmica

Desde que ganhou popularidade, há cerca de um ano, o YouTube vem causando polêmica por conta da questão dos direitos autorais — como os próprios internautas postam conteúdo, a página não tem controle sobre os vídeos disponíveis em seus arquivos. Desta forma, resta ao site excluir os vídeos protegidos quando isso é solicitado pelos detentores dos direitos autorais (casos de estúdios cinematográficos, por exemplo).

”Pela lei norte-americana, a página está livre de processos à medida que segue as solicitações e retira os arquivos do ar”, afirmou ao G1 o advogado Marcel Leonardi, especialista em direito eletrônico. Este contato é feito por um canal de comunicação disponível no site, exatamente como determina a legislação dos Estados Unidos. Foi desta maneira que a rede de televisão ABC conseguiu tirar do ar, em setembro, um trecho inédito da série ”Desperate Housewives” veiculado no YouTube.

Alguns especialistas acreditam que é apenas uma questão de tempo até que este cenário pacífico mude drasticamente. Para o advogado Renato Opice Blum, “é possível que o YouTube sofra processos, assim como aconteceu com o Napster. Do ponto de vista jurídico, o site de vídeos apresenta ainda mais complicações, considerando a violação de direitos de imagens e a privacidade das pessoas expostas”, explicou ao G1.

Em meados de setembro, Doug Morris, diretor-executivo da gravadora Universal, mostrou que esta hipótese pode estar próxima. ”Acreditamos que estas novas formas de divulgação [de videoclipes] infringem as leis dos direitos autorais e nos devem dezenas de milhões de dólares. Em breve, revelaremos uma maneira de lidar com esta empresa”, continuou. Nesta mesma linha, o bilionário investidor e veterano da internet Mark Cuban afirmou que só um “idiota” poderia adquirir uma empresa com tantas possibilidades de sofrer processos.